quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A última imagem antes da escuridão



De repente, tudo desligou ao mesmo tempo. Mas não totalmente.
Eletrônicos ficaram piscando, lutando, querendo exercer sua função.
Fiéis.
As lâmpadas, tadinhas, se esforçavam... mas a luz alaranjada, fraca, denunciava a morte eminente.
Percebendo a luta prejudicial dos aparelhos pela sua sobrevivência, ela os fez dormir "não se preocupem, sei que vocês são meus fiéis escravos, mas agora durmam, não há nada que se possa fazer".
Caminhou no escuro em busca da única solução possível: uma simples vela.
Riscou o fósforo, acendeu a vela, pingou gotinhas de cera.
Estava irritada por ter que depender de algo tão atrasado e sentia que lidava com uma força temperamental, que não lhe seria fiel.
"Não confio em você", disse para o fogo.
Levou a vela num pratinho, enquanto o fogo dançava, indiferente.
Apoiou o dançarino num criado-mudo e se preparou para ler.
A luz não era forte o suficiente, "você não é capaz de iluminar como eu preciso..." reclamou.
O fogo continuou dançando.
Ela suspirou, nervosa por não poder ler.
Experimentou ligar a lâmpada do abajur e percebeu que sua amiga fiel ainda lutava para sobreviver. "Ah, bem melhor! Não preciso mais de você." - disse para o fogo.
Pingou gotas de água para apagá-lo. O fogo gritou irritado, conforme as gotas caíram e começou a se despedir. Morrendo aos poucos.
De repente, a lâmpada, sua fiél amiga, apagou de uma vez por todas.
A única fonte de luz era o fogo prestes a morrer.
Os dois, ela e o fogo, se encararam.
O fogo olhou bem para ela, e no seu último suspiro disse:
"bem feito..."
Ele se foi e ela ficou sozinha, na completa escuridão.



terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Mundo


O herói venceu a si mesmo.
Está completo.
E pronto para a próxima jornada...


A Ponte


sábado, 7 de novembro de 2009

A Lua


A jornada está chegando ao fim.
O herói derrotou monstros e sobreviveu à ruína.
Mas ainda não venceu...


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Entrega


Eu te amo.
Agora. E se amanhã não mais, tudo bem.
Hoje, eu te amo.
E assim eu consigo acreditar...


A leoa-borboleta


A leoa-borboleta se arrumou toda para a festa. Estava se achando o máximo. Quando chegou, todo mundo ficou olhando... Ninguém conhecia uma leoa que podia voar... e ainda por cima tão linda! Naquela floresta, os machos eram a maioria, e eles não gostaram de ver uma leoa com juba... "Que juba horrível... E essa asa então? Onde ja se viu? Leão não voa!". Os animais ficaram com muita inveja de sua beleza e de sua capacidade de voar: "ela está se destacando demais do grupo... Isso não pode!". A leoa- borboleta sentiu-se mal, achou que estava fazendo alguma coisa errada... Voltou pra casa, tirou a juba, e não quis mais sair. Sua asa começou a ficar fraquinha, fraquinha... E ela ficou com medo. Medo de tentar voar e não conseguir, medo de ninguém gostar dela. Medo. Durante meses e anos a leoa-borboleta parou de voar, e não usou mais sua juba, assim ninguém a percebia. Invisível, a leoa foi vivendo. Até que um dia, a leoa-borboleta cansou. Cansou de não voar e de ter medo. Cansou de viver negando a si mesma... Ela era uma leoa-borboleta, e não tinha culpa de ser bonita e de saber voar...
E então, ela voou.


O Fantástico Início